Coronavírus
é, sim, uma situação grave, e sim, merece sua vigilância e atenção. No entanto,
a torrente constante de informação, precauções e avisos, sejam diretamente dos
órgãos de saúde ou de algum post recirculado e de fonte duvidosa no
Facebook, podem realmente afetar a sua saúde mental.
Quando o
cuidado vira exagero? Onde se cruza a linha entre estar bem informado e, bem,
informação demais?
A boa
notícia é que existe um meio-termo entre conscientemente ignorar o maior
acontecimento no mundo atual e entrar em pânico total. Aqui estão algumas
dicas. Pense nelas como lavar as mãos e distanciamento social, mas para o seu
cérebro.
Filtre suas fontes de informação: "Tem
um monte de informação por aí. O desafio é tentar determinar quais dessas
informações são verdadeiras", diz Lynn Bufka, diretora de pesquisa e
diretrizes na Associação Americana de Psicologia. Ela sugere controlar a
dosagem de informações seguindo esses passos:
1)
Encontre algumas fontes que você confia e mantenha-se a elas. Escolha
uma fonte nacional ou internacional, como o Ministério da Saúde e alguma outra
mídia local para que você saiba o que está acontecendo na sua comunidade.
2)
Limite a frequência de atualização. As coisas podem estar mudando
rapidamente, mas isso não significa que você precisa estar pendurado esperando
cada novidade. Pense nisso desta maneira: se tem um tornado vindo na sua
direção, você precisa de informação o mais breve possível. O coronavírus não é
como um tornado, você pode desativar notificações constantes de sites de
notícia e redes sociais, se estão te causando mal.
3)
Saiba quando se distanciar. "Tente se acostumar a não saber todos
os detalhes e se sentir bem com a incerteza", diz Bufka. Ela recomenda
deixar o celular longe para não ficar tentado a checá-lo o tempo todo. Bufka
diz que ela mantém o celular no carregador quando ela chega em casa para que
não fique com ela constantemente, acenando com novas informações.
4)
Pratique disciplina com as redes sociais. Não é fácil limitar o tempo
que passamos nas redes sociais. Mas é provável que informações e comentários de
seus amigos e colegas no seu feed do Facebook é mais incessante do que
atualizações reais de empresas de notícias ou organizações de saúde. Bufka
recomenda desinstalar aplicativos de redes sociais para que fique mais difícil
acessar o conteúdo, ou usar ferramentas para limitar o uso.
Dê nome a seus medos: Uma pandemia é um
vilão bastante abstrato, então pode ajudar sentar-se e refletir sobre quais
ameaças específicas te preocupam. Você acha que vai pegar o coronavírus e
morrer? "O medo da morte é um dos nossos medos existenciais mais
profundos", diz Bufka. "Mas você tem que pensar do que é seu medo e o
quanto ele é realista". Considere o seu risco pessoal e a probabilidade de
você realmente entrar em contato com o vírus.
E, mesmo
que seu maior medo se torne real e você ou alguém amado fique doente, você pode
não ter pensado sobre o que vem em seguida. Sim, você pode contrair o vírus.
Sim, você pode precisar de tratamento. Mas, por mais provável que seja, não é o
fim do mundo. "Nós tendemos a superestimar a probabilidade de algo
acontecer e subestimar nossa capacidade de lidar com esse acontecimento",
diz Bufka.
Claro, você
pode ter outros medos mais práticos. "Algumas pessoas podem se preocupar
sobre o que aconteceria se eles tivessem que se isolar, ou se eles não puderem
trabalhar. Eles imaginam se terão acesso a produtos e serviços essenciais para
eles ou seus filhos", diz Bufka. "De novo, as pessoas tem habilidades
maiores de lidar com dificuldades do que imaginam. Pense em um plano. Considere
suas opções se você não pode trabalhar à distância. Você tem uma poupança? Você
tem um sistema de apoio?". Estar preparado para seus medos ajuda a
mantê-los do tamanho adequado.
Pense em além de si mesmo: Agir pode
aplacar as nossas ansiedades, então você pode considerar o que você pode fazer
para ajudar outros que podem ser mais afetados pela epidemia do que você.
Trabalhadores das áreas médica, de serviços, entregas, restaurantes ou entretenimento
podem ter seus sustentos cortados, ou terem de se colocar em perigo
desnecessário. "Será importante para nós, como comunidades, pensar em como
podemos apoiar esses indivíduos cujas vidas serão afetadas", diz Bufka.
"Como podemos aliviar esse fardo e prestar auxílio àqueles que têm menos
opções?".
No final,
a maior parte das precauções para conter a transmissão do vírus não é só para
você, como indivíduo. Elas são pensadas para manterem a segurança de
comunidades inteiras e grupos de risco. Fazer o mesmo pode ajudar você a ver os
efeitos reais da situação, ao invés de seus medos abstratos.
Procure ajuda, mas de maneira sensata: As
pessoas irão falar. Mas, se você quer correr até um amigo para discutir os
últimos casos confirmados ou os planos de contingência da sua família, tente
não criar eco. "Se você está se sentindo ansioso ou sobrecarregado, não
vá, necessariamente, até alguém que está sentindo o mesmo nível de medo",
diz Bufka. "Procure alguém que está lidando com isso de maneira diferente,
que pode checar seus sentimentos e oferecer conselhos".
Se você
não está conseguindo controlar seus pensamentos, ajuda profissional pode ser
uma opção. "Não precisa ser uma coisa a longo prazo", aconselha
Bufka. Pode ser só uma orientação para essa situação específica".
Preste atenção a suas necessidades básicas:
Resumindo, não fique tão preocupado com o coronavírus ao ponto de esquecer
as práticas essenciais e saudáveis que afetam seu bem-estar diário. "Em
tempos de estresse, nós tendemos a minimizar a importância da nossa rotina,
quando nós deveríamos estar prestando mais atenção nisso, na verdade",
ressalta Bufka. Certifique-se de que está:
- Dormindo adequadamente
- Mantendo uma alimentação saudável
- Saindo de casa tanto quanto possível
- Fazendo atividade física regularmente
- Mantendo uma alimentação saudável
- Saindo de casa tanto quanto possível
- Fazendo atividade física regularmente
Praticar
manter-se consciente, meditação, ioga ou outras formas de cuidado pessoal podem
também te ajudar a centrar-se nas suas rotinas e cotidiano, e evitar que sua
mente vagueie ao desconhecido sombrio e, muitas vezes, irracional.
Não se repreenda por se preocupar: Finalmente,
não deixe que a culpa se torne uma companheira indesejada para sua ansiedade.
Você tem o direito de se preocupar e de se sentir mal. Quando discutimos como
falar com crianças sobre o coronavírus, especialistas de saúde disseram à CNN que
as pessoas devem reconhecer os medos da criança e deixá-la saber que seus
sentimentos são válidos. Essa mesma compaixão deve ser oferecida a você mesmo.
A chave é trabalhar para entender e contextualizar seus medos para que eles não
te impeçam de viver sua vida de maneira saudável.
Fonte: https://cnnbrasil.com.br/, visita em 17.03.20 (com adequações).